O Sistema Indústria participou do Fórum Encadear 2026, realizado nos dias 14 e 15 de outubro, em São Paulo, e defendeu a atuação integrada para fortalecer a competitividade, a inovação e a produtividade industrial. No painel "Juntos pela Indústria: Uma Aliança pela Transformação da Indústria Brasileira", representantes do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Serviço Social da Indústria (SESI) e Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacaram a importância da qualificação profissional, da saúde e segurança no trabalho e da articulação institucional para ampliar a participação das empresas nas cadeias de valor.
O debate foi mediado por Fábio Krieger, gerente da Unidade de Competitividade do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e reuniu os superintendentes Sarah Saldanha, do IEL; Emmanuel Lacerda, de Saúde e Segurança da Indústria do SESI; e Fabrício Silveira, de Política Industrial da CNI.
Os participantes destacaram que os desafios industriais exigem soluções coordenadas, capazes de combinar conhecimento técnico, tecnologia, qualificação profissional e melhores condições de trabalho. A parceria entre o Sebrae e o Sistema Indústria, por meio do programa Juntos pela Indústria, foi apresentada como um exemplo de atuação conjunta para impulsionar a produtividade e apoiar o desenvolvimento dos negócios.
Formação de lideranças para mudanças tecnológicas e ambientais
Para Sarah Saldanha, a preparação de profissionais e lideranças é fundamental para que as empresas acompanhem as mudanças tecnológicas e ambientais. Na avaliação da superintendente nacional do IEL, temas como inteligência artificial e descarbonização precisam integrar as estratégias empresariais e orientar a formação de talentos, em vez de permanecer restritos ao planejamento de longo prazo.
“Falamos sobre a fronteira da inteligência artificial e sobre descarbonização, mas, na visão do IEL, precisamos fazer essas transformações acontecerem desde já. Essa perspectiva deve fazer parte do DNA das empresas e estar presente na formação de líderes e profissionais da indústria”, afirmou Sarah.
Sarah também destacou o papel do IEL na formação de lideranças e talentos preparados para os desafios da indústria. “A contribuição do IEL está em desenvolver pessoas e talentos capazes de construir um novo panorama para a indústria e fortalecer as cadeias produtivas para sustentar a participação competitiva do Brasil nesse cenário global”, afirmou.
Saúde e segurança nas pequenas empresas
A competitividade industrial também depende das condições oferecidas aos trabalhadores e da capacidade das empresas de promover ambientes de trabalho seguros e saudáveis. No painel, Emmanuel Lacerda destacou o papel do SESI no apoio às pequenas empresas que integram cadeias produtivas lideradas por grandes companhias.
A atuação envolve orientação para o cumprimento das obrigações legais relacionadas à Saúde e Segurança no Trabalho (SST), além de programas voltados ao bem-estar dos trabalhadores. Para o superintendente, incorporar esses cuidados à gestão empresarial contribui para reduzir riscos e fortalecer a sustentabilidade das operações.
“As cadeias produtivas são fundamentais para a estratégia da parceria entre o Sistema Indústria e o Sebrae, no âmbito do programa Juntos pela Indústria. Nesse contexto, o SESI possui competência consolidada e desempenha um papel relevante na regularização das obrigações legais relacionadas à Segurança e Saúde no Trabalho (SST), bem como na promoção de programas de saúde e bem-estar voltados às pequenas empresas envolvidas nos encadeamentos produtivos estruturados a partir de grandes empresas âncoras”, explicou Emmanuel.
O debate também abordou os impactos das mudanças demográficas sobre o mercado de trabalho, como o envelhecimento da população e a convivência entre diferentes gerações nas empresas. Nesse cenário, a saúde integral e o desenvolvimento humano ganham importância para a continuidade das operações, a produtividade e a adaptação das organizações às novas demandas.
Uso de dados e políticas públicas contra o Custo Brasil
Na perspectiva da CNI, a transformação industrial requer, além de iniciativas dentro das empresas, medidas estruturais para melhorar o ambiente de negócios e reduzir os entraves à competitividade. Fabrício Silveira destacou a importância da inteligência industrial, do uso de dados e da articulação de políticas públicas para enfrentar fatores que elevam os custos de produção no país, reunidos na agenda conhecida como Custo Brasil.
O superintendente ressaltou a necessidade de ampliar a inserção da indústria brasileira nas cadeias globais de valor, com maior integração entre empresas, fornecedores, instituições de pesquisa e agentes de inovação. Para ele, a atuação coordenada das entidades permite combinar competências e construir respostas mais abrangentes aos desafios do setor.
“A CNI tem a grande missão de ser uma organizadora estratégica da visão e consolidadora da inteligência econômica, tanto para o desenvolvimento produtivo quanto para o combate aos elementos negativos da agenda microeconômica, em particular, o Custo Brasil e os fatores de competitividade da indústria”, afirmou Fabrício.
Ele também destacou a contribuição de cada entidade para esse processo. “Da mesma forma, recebemos contribuições das demais casas: o IEL tem trabalhado nas frentes de liderança para a transformação produtiva, inovação e formação gerencial; o SESI apoia esse processo colocando as pessoas no centro, promovendo o desenvolvimento humano e protegendo os trabalhadores com ações de Saúde e Segurança no Trabalho (SST); e o SENAI atua na formação de recursos humanos e no desenvolvimento tecnológico e na inovação industrial”, explicou.
A integração entre as entidades, segundo Fabrício, fortalece a capacidade de responder às demandas das empresas e de conectar desenvolvimento de competências, inovação e produtividade. Essa abordagem também favorece a atuação conjunta com o Sebrae e o envolvimento de pequenos negócios em projetos conduzidos por grandes empresas.
Conexões para o futuro das cadeias de valor
Promovido pelo Sebrae, o Fórum Encadear chegou à 4ª edição em 2026, com o tema “O futuro das cadeias de valor: da competitividade à diferenciação nos mercados globais”. O encontro reuniu lideranças empresariais, instituições e especialistas para discutir os desafios e as oportunidades relacionados à transformação dos negócios e ao fortalecimento das cadeias produtivas.
A programação abordou temas como mudanças na geopolítica global, tecnologias emergentes, produtividade, inovação aberta, sustentabilidade, transição para uma economia de baixo carbono e desenvolvimento territorial. Também promoveu discussões sobre a integração de fornecedores, a resiliência das operações e as oportunidades de negócios entre empresas de diferentes portes.
A participação do Sistema Indústria reforçou a importância da cooperação entre instituições para elevar a competitividade nacional. Ao reunir as competências do IEL, SESI, SENAI e CNI às iniciativas do Sebrae, a atuação conjunta busca apoiar o desenvolvimento de pessoas e empresas, estimular a inovação e ampliar as condições para que os negócios brasileiros avancem nas cadeias de valor nacionais e globais.




