"Compliance traz solidez e sustentabilidade para o Sistema Indústria", diz presidente da CNI

Integração e uso de ferramentas para aprimorar a integridade foram debatidos durante o 3º Encontro Nacional de Compliance do Sistema Indústria, realizado pela CNI e pelo Conselho Nacional do SESI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que o investimento em integridade traz solidez e sustentabilidade para as instituições do Sistema Indústria. Ele participou nesta quinta-feira (8) da abertura do 3º Encontro Nacional de Compliance do Sistema Indústria, realizado pela CNI em parceria com o Conselho Nacional do SESI, em Brasília.

Alban reforçou que a cultura de integridade deve orientar as ações, e não criar barreiras à atuação das instituições. “O compliance, a transparência e a ética são processos de evolução constante. Interagir e assimilar informações certamente servirá não só para o trabalho, mas para a nossa vida pessoal. O compliance é importantíssimo e não significa o engessamento de ações. Ele nos dá o norte. Precisamos ser arrojados, mas sempre usando bem as ferramentas, com equilíbrio e bom senso”, destacou.

De acordo com o presidente da CNI, é preciso adotar cuidados no uso das redes sociais, em um ambiente em que as informações são constantemente questionadas e podem ser apresentadas por meio de narrativas diversas. “O mais importante é não perder a razão. E o compliance ajuda muito nisso. Precisamos ter a capacidade de não sermos provedores de dúvidas, mas de convergência”, pontuou.

O superintendente do Conselho Nacional do SESI, Sérgio Mendonça, alertou que a conformidade é um eixo central para o Sistema Indústria. “Ela está relacionada ao fortalecimento dos processos, da transparência e da própria coesão do Sistema. Hoje, a integridade é um desafio diante das transformações regulatórias, institucionais, econômicas, tecnológicas e sociais, demandando atualização contínua dos profissionais da área e da própria gestão”, destacou Mendonça, que representou no evento o presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior.

“Essa agenda reafirma o compromisso do Conselho com o fortalecimento da integridade e da governança no âmbito do Sistema. No ano em que o Conselho Nacional e o SESI completam 80 anos é uma oportunidade olhar simultaneamente para a trajetória construída até aqui e para os desafios futuros. E nessa perspectiva, gostaria de enfatizar a importância dos mecanismos de integridade para o Sistema Indústria”, alertou.

Integração e uso de ferramentas para aprimorar o compliance

O diretor Corporativo e superintendente de Compliance e Integridade da CNI, Cid Vianna, disse que o principal objetivo do encontro é fortalecer a atuação integrada e colaborativa entre as instituições do Sistema Indústria. Ele ressaltou a importância da troca de experiências e do compartilhamento de boas práticas entre as áreas de compliance dos departamentos Nacional e regionais, e dos Conselhos Nacionais do SESI e do SENAI. “É fundamental que a gente se conheça em todo o Sistema. Precisamos caminhar juntos para nos fortalecer”, enfatizou.

Segundo Cid Vianna, a integração permite que as instituições conheçam diferentes experiências e avancem no aprimoramento de seus processos. Ele também destacou o papel de uma rede colaborativa capaz de compartilhar não apenas boas práticas, mas também experiências que não produziram os resultados esperados. “Essa rede colaborativa é importante para que seja possível aprender, compartilhar conhecimento e compartilhar também o que não deu certo, para que possamos avançar”, pontuou.

Entre os temas abordados no encontro esteve o uso da inteligência artificial (IA) na gestão de processos e dados. Para Cid Vianna, a troca de experiências sobre a aplicação de tecnologias voltadas ao aprimoramento dos setores de compliance amplia as oportunidades de aprendizado e interação entre as instituições.

O compliance no Sistema Indústria

A 3ª edição do Encontro Nacional de Compliance do Sistema Indústria reúne nesta quinta e sexta-feira (9) representantes dos regionais e de federações estaduais das indústrias para promover o diálogo, a troca de conhecimentos e o compartilhamento de experiências relacionadas à governança, integridade, gestão de riscos e compliance, fortalecendo a atuação conjunta e integrada do Sistema.

Na avaliação da CNI, ética, transparência e compliance são fundamentais para a atuação das organizações e para a construção de relações sólidas com a sociedade. Esses princípios orientam decisões, relações e práticas institucionais, contribuindo para uma atuação responsável e íntegra.

Essa agenda está presente nas atividades negociais e cotidianas, contribuindo para decisões mais seguras, relações mais equilibradas e geração de valor. Quando incorporada às práticas institucionais, a integridade também fortalece a credibilidade e a sustentabilidade das organizações.

A articulação está relacionada ao trabalho desenvolvido pela Rede Nacional Colaborativa, instituída pela Superintendência de Compliance e Integridade da CNI com o propósito de aproximar as áreas de compliance dos departamentos regionais e do Departamento Nacional, promovendo interlocução e compartilhamento estruturado de conhecimentos, experiências e boas práticas.

Conectando práticas e fortalecendo resultados

A programação contou com a moderação de Cid Vianna do painel “Conectando práticas. Fortalecendo resultados”, que reuniu gestores da área de compliance de sete regionais do Sistema Indústria: Lívia Almeida, gerente de Compliance do Sistema FIEC; Viviane Dias de Lima, gerente de Compliance e Integridade do Sistema FINDES; Emerson Nóbrega de Medeiros, chefe de Controle Interno e Ouvidoria do Sistema FIEPB; Vânia Ribeiro, coordenadora de Conformidade, Riscos e Controles do Sistema FIEMT; Tânia Laurentino, gerente executiva de Governança e Integridade do Sistema FIEA; e Érica de Alcântara, gerente de Governança, Riscos, Compliance e Privacidade do Sistema FIEMG.

Todos destacaram o apoio da alta liderança como o principal fator para a implementação e o fortalecimento das medidas de compliance. A aproximação com as equipes e a incorporação desta pauta à rotina foram apontadas como essenciais para consolidar essa cultura.

Tânia Laurentino, por exemplo, destacou a organização da gestão, com apoio da tecnologia e da inteligência artificial como fundamental para estruturar políticas e processos. Ela reforçou que a documentação dá voz oficial ao compliance e que a área deve ser percebida como parceira do negócio. “Usamos IA para avançar. Arrumamos a casa e fizemos uma política de gestão documentada na FIEA”, contou.

Vânia Ribeiro, por sua vez, apresentou o programa “Na Moral”, criado na FIEMT para tornar o compliance mais simples, acessível e conectado ao cotidiano. “Em um ano, a área passou de desconhecida à referência, sendo hoje procurada pelos colaboradores até para orientação preventiva”, detalhou.

Também participaram do encontro especialistas em compliance, que trataram de assuntos específicos relacionados à agenda de integridade. A diretora executiva de Compliance da Nexa Resources, Neuma Eufrázio, destacou tendências nacionais e internacionais do compliance.

Segundo ela, a indústria e os demais setores produtivos precisam atuar em cadeia e de forma próxima à sociedade para estruturar práticas de compliance. “É preciso entender a estratégia, conhecer o que pode interrompê-la e preparar pessoas, governança e ferramentas antes de a pressão chegar”, alertou.
 
José Alexandre Buaiz Neto, sócio do Escritório Pinheiro Neto Advogados, orientou que as empresas tenham atenção aos processos internos, como a estruturação e o aprimoramento da gestão de riscos. Propôs também que os sinais de alerta sejam observados para que as companhias não sejam surpreendidas, a partir da adoção de precauções relacionadas aos pedidos feitos por fornecedores, como a solicitação de pagamentos em contas diferentes ou em dinheiro, ou a cobrança de valores desproporcionais ao mercado.

“Não basta olhar para dentro. É preciso olhar para fora, para o seu fornecedor. Sinais de alerta precisam ser notados. A notícia boa é que os departamentos de compliance de empresas no Brasil estão muito mais preparados do que nós imaginamos”, enfatizou.

NR-1 e os riscos psicossociais

A superintendente de Relações do Trabalho da CNI, Sylvia Lorena, abordou a atualização da NR-1, norma do Ministério do Trabalho e Emprego que inseriu os fatores de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Ela criticou a ausência de critérios técnicos e objetivos na inclusão dos fatores de riscos psicossociais no texto da norma. O tema é alvo de ações no Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu liminar suspendendo momentaneamente as sanções.

“A CNI defende um ambiente de trabalho seguro e saudável, mas se posiciona divergente à inclusão dos fatores de riscos psicossociais, em especial porque o texto é subjetivo e traz insegurança jurídica”, afirmou Sylvia Lorena.

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