Inteligência artificial vai melhorar entrega ao cliente sem descartar humanos, avaliam especialistas

Presidente da empresa holandesa Elsevier afirma, durante o 8º Congresso Brasileiro de Inovação Industrial, que a tecnologia é apenas uma ferramenta, que vai levar o trabalho com mais qualidade às empresas e profissionais
Empresários debatem uso de inteligência artificial para: reduzir o custo para as empresas, aumentar os lucros ou criar novos modelos de negócio

A inteligência artificial vai permitir às empresas fazerem melhor seu trabalho sem descartar a atividade humana, defendeu o presidente da empresa holandesa Elsevier, Younsuk YS Chi, durante o painel “Inteligência artificial: imparcialidade e controles”, realizado nesta terça-feira, no 8º Congresso Brasileiro de Inovação Industrial, organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“No final das contas, não usamos inteligência artificial para substituir o processo de decisão profissional, mas para melhorá-lo. Nós permitimos que advogados consigam avaliar melhor e ganhem mais causas, que pesquisadores encontrem a cura do câncer mais rápido”, explicou Chi sobre o uso de IA pela Elsevier, empresa global que fornece soluções digitais para obtenção de informação e análises.

Na opinião do executivo, a inteligência artificial é uma ferramenta que serve a três propósitos: reduzir o custo para as empresas, aumentar os lucros ou criar novos modelos de negócio.

Presidente da empresa holandesa Elsevier, Younsuk YS Chi, durante o painel “Inteligência artificial: imparcialidade e controles”

“O que você faz por seu cliente hoje? Então utilize inteligência artificial para fazê-lo melhor”, recomendou Younsuk YS Chi aos presentes. “A inteligência artificial é apenas uma ferramenta, assim como foram os computadores anos atrás”.

O fundador da empresa de planejamento e análise Going Global Ventures, Mark Minevich, que também participou do painel, tem visão ainda mais otimista dos benefícios da tecnologia na vida das pessoas. Ele acredita que a atual 4ª revolução industrial é a maior já vivida pelos seres humanos e trará bem estar jamais visto. “As máquinas nos permitem criar mais oportunidades de negócios e aumentar receita. Esse é um futuro de esperança que nos permitirá criar milhões e milhões de empregos”, defendeu.

Agenda para o Brasil -  Os especialistas acreditam que o Brasil tem oportunidades de utilizar a inteligência artificial para gerar renda e qualidade de vida. Younsuk YS Chi avalia que o país tem de superar alguns obstáculos, como o baixo nível de colaboração entre a academia e as empresas, o risco de “fuga de cérebros” em inteligência artificial para outros países e a demora na concessão de patentes. “O Brasil tem de buscar criar um ecossistema que irá encorajar os talentos daqui, porque, no fim das contas, inteligência artificial não são máquinas, são ainda pessoas que estão por trás da IA”, recomendou. 

A presidente da IBM na América Latina, Ana Paula Assis, afirmou que há segmentos econômicos no Brasil que são referência no uso de inteligência artificial, como o sistema bancário, a agricultura e o comércio. Ela aposta que a área médica no país tem futuro promissor no uso da tecnologia. “A tecnologia está disponível, mas a questão não é a tecnologia em si mesma, mas o uso que se dá a ela”, explicou.

Presidente da IBM na América Latina, Ana Paula Assis, avalia que área médica pode se beneficiar da inteligência artificial

Mark Minevich lembrou que os Estados Unidos anunciaram um programa para estimular o uso de inteligência artificial e a China tem investido milhões na tecnologia por acreditar que a tecnologia provocará enorme mudança ao redor do mundo. Segundo ele, Brasil precisa de uma estratégia nacional urgentemente. “Países como o Brasil têm enorme potencial e futuro, mas precisa agir rápido e criar uma agenda nacional de inteligência artificial. Eu sou otimista de que essa revolução vai criar valor para nós e para as gerações que virão. O Brasil pode ser um grande ator nessa revolução da IA”, avaliou.

Cidades do futuro - As novas tecnologias já estão transformando as cidades e terão cada vez mais impacto em aspectos como mobilidade urbana, analisou também o líder em Transformação Digital para América Latina da Dassault Systèmes, Luiz Roberto Egreja. Ele apresentou as tendências em transporte urbano no painel “Cidades do futuro: as novas fronteiras para mobilidade” na manhã desta terça-feira.

Segundo o executivo, a locomoção autônoma (sem motorista) deve começar a ser usada pelo transporte de carga e, em seguida, para o transporte de passageiros. Outro tema em mobilidade que é uma tendência é o compartilhamento de veículos, inclusive aéreos.  “Existem centenas de startups hoje trabalhando para desenvolver o que vão ser os veículos aéreos do futuro, os carros dos Jetsons (desenho animado). Desde pequenas startups até empresas como Embraer e Airbus estão desenvolvendo formas de mobilidade urbana que combinam o transporte rodoviário e aéreo”, explicou. 

Para o executivo, em vez de ter um veículo, os consumidores tendem a valorizar a experiência de mobilidade combinando diferentes formas. “A questão é a experiência de uso do usuário. Na economia que vivemos hoje, a experiência de uso tem mais valor do que o produto em si. É importante que as empresa saibam desenvolver soluções em mobilidade olhando para isso, como melhorar a experiência de uso do cidadão”, avaliou.

CONFIRA - Acompanhe o especial da Agência CNI de Notícias sobre o 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria e saiba mais. Veja também a cobertura fotográfica no Flickr da CNI.

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