O Instituto Euvaldo Lodi (IEL) realizou, em 8 de setembro, mais uma edição do IEL Experience, que levou empresários e executivos brasileiros ao ecossistema de inovação, tecnologia e manufatura de Nova Delhi, na Índia. Realizada no contexto da Missão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao BRICS Índia, a agenda combinou conhecimento acadêmico, contato com startups, experiências em laboratórios de inovação e visita à indústria com o propósito de ampliar a visão dos participantes sobre um dos principais mercados industriais do mundo.
A experiência concentrou em um único dia atividades do Programa de Educação Executiva Global do IEL, que normalmente ocorre ao longo de uma semana, e foi estruturada para conectar conhecimento e aplicação prática.
A programação começou no Indian Institute of Technology Delhi (IIT Delhi), uma das instituições acadêmicas mais prestigiadas da Índia e referência internacional em engenharia, ciência, tecnologia e inovação. Com forte conexão com a indústria, o instituto abriu a agenda com uma visão sobre o papel da pesquisa e da tecnologia na transformação dos negócios.
Na abertura, foi apresentado o ecossistema indiano de inovação. Em seguida, o professor e especialista em segurança e privacidade Shalabh Jain conduziu o briefing executivo “Construindo as fundações digitais para a automação industrial e as cadeias globais de valor”, com participação de Abhijit Lele, fundador da Pakketa. A discussão destacou o papel da infraestrutura digital, dos dados e da automação para empresas inseridas em cadeias produtivas globais.
Na sequência, o professor Sunil Jha apresentou “Engenharia de precisão, IA e digitalização aplicadas à manufatura”, mostrando como essas tecnologias podem ser integradas à produção para ampliar produtividade, precisão e capacidade de resposta.
A agenda avançou para a conexão entre pesquisa e mercado, com um painel sobre startups incubadas pelo IHFC, polo de inovação associado ao IIT Delhi. Os participantes conheceram experiências de empresas que transformam conhecimento tecnológico em soluções para setores como indústria, medicina, agricultura e defesa, com destaque para aplicações em robótica e sistemas ciberfísicos.
Inovação na prática
Depois das atividades acadêmicas, a experiência avançou para o campo da aplicação industrial. Um dos destaques da manhã foi o estudo de caso sobre inovação e mobilidade elétrica na Índia, apresentado por Prasad Kumar, da Matter. A discussão trouxe para o centro da agenda um setor em rápida transformação e mostrou como novos modelos tecnológicos podem responder a demandas de mobilidade, produção e sustentabilidade.
Após o intervalo, os participantes retornaram ao Advanced Manufacturing Lab do IIT Delhi para uma sessão de troca de experiências com o professor Sunil Jha. O ambiente permitiu observar mais de perto como pesquisa, engenharia e manufatura podem se conectar para desenvolver soluções voltadas às necessidades concretas da indústria.
A etapa seguinte levou o grupo para fora da universidade. Na Dixon Technologies, maior fabricante de eletrônicos de capital indiano, os executivos conheceram uma operação com mais de 15 mil funcionários e 17 plantas ativas, responsável pela fabricação de celulares, televisores, eletrodomésticos, produtos de iluminação e hardware de tecnologia da informação.
A visita foi orientada por perguntas práticas. Os participantes observaram o fluxo de produção, automação, qualidade e testes; analisaram como a empresa coordena fornecedores e opera em escala; e buscaram entender quais elementos sustentam sua competitividade. Mais do que conhecer uma fábrica, a proposta foi compreender o modelo operacional por trás daquela escala e identificar relações entre tecnologia, fornecedores, parcerias e acesso ao mercado.
Três perguntas para levar da Índia ao Brasil
A proposta do IEL Experience vai além da imersão na Índia. A jornada foi estruturada para estimular uma leitura crítica da realidade indiana e transformar os aprendizados em decisões aplicáveis aos negócios brasileiros.
Ao final da jornada, os participantes foram provocados a responder a três perguntas:
- Capacidade: qual capacidade está limitando minha competitividade e a restrição está em talentos, tecnologia ou escala?
- Inovação: o que devo desenvolver, adquirir ou buscar por meio de parcerias, em vez de tentar desenvolver sozinho?
- Execução: o que vi na Índia que poderia aplicar de forma realista no meu negócio?
Realizada no contexto do Fórum Empresarial do BRICS e da Cúpula do BRICS, a experiência na Índia fortalece a agenda de internacionalização do IEL e sua atuação na formação de lideranças preparadas para um ambiente industrial em rápida transformação, aproximando conhecimento, tecnologia e oportunidades de negócios.






