Estudantes das equipes do Torneio SESI F1 nas Escolas promovem ações sociais em comunidades carentes

Regulamento prevê que cada escuderia realize projeto social com relevância para comunidade. Esse é um dos critérios para desempate em caso de equipes obterem a mesma pontuação
Cuidar de animais silvestres e conscientizar a sociedade a não traficar aves, répteis e mamíferos foi a missão da equipe Factum, de Minas Gerais

Arrecadação de roupas e de livros para serem doados a comunidades carentes, incentivo à reciclagem de materiais e até cuidados com animais silvestres apreendidos fazem parte do legado do Torneio SESI F1 nas Escolas, realizado durante o Festival SESI de Robótica, no Rio de Janeiro até este domingo (17). Todas as 17 equipes do projeto oficialmente vinculado à Fórmula 1 têm a missão de promover projetos sociais. Esse é um dos requisitos da competição, na qual estudantes são desafiados a criar uma empresa que funciona como uma escuderia de F1.

A classificação para a etapa mundial, que será realizada no fim do novembro em Abu Dhabi, se baseia numa série de avaliações que incluem a elaboração de plano de negócios da equipe, design e construção do carro, projetos de marketing e mídias sociais, busca de patrocínios e gestão financeira da empresa. Um componente a mais para os times é exatamente a ação social, também avaliada pela banca de juízes, e critério de desempate em caso de duas ou mais equipes conquistarem a mesma pontuação.

“A nossa ideia é que a empresa tenha preocupação com a comunidade em volta dela. O projeto social é livre, cada empresa pode escolher o tema que quiser. A única regra é que não pode gastar nem um centavo com a ação social”, detalha o coordenador do F1 nas Escolas, Waldemar Battaglia, representante oficial no Brasil do projeto F1 in Schools.

“A F1 nas Escolas nos proporciona um aprendizado amplo, que vai muito além da corrida de carro”, diz a estudante Anna Souza (de óculos)

Realizada em mais de 40 países, a F1 nas Escolas tem como diferencial no Brasil a realização do projeto social para além do formato tradicional da competição. “As equipes podem se juntar a um projeto social já existente ou podem iniciar do zero um novo projeto. Existem exemplos bons de edições anteriores, como equipes que promoveram a coleta de lixo tecnológico, arrecadação de agasalhos e limpeza de praia. É uma iniciativa bem interessante, pois o aluno começa o projeto social e consegue engajar muito rapidamente outros estudantes e a sociedade em geral”, detalha Alexandra Battaglia, uma das juízas da competição.

As duas equipes do Espírito Santo, por exemplo – Makara e Spectre –, arrecadaram alimentos e roupas para doar a uma associação de jovens carentes de Cariacica (ES). “A F1 nas Escolas nos proporciona um aprendizado amplo, que vai muito além da corrida de carro”, diz a estudante Anna Souza, 17 anos, do SESI de Vitória.

A equipe Eagles, da Escola SESI Campinas de Goiânia, arrecadou agasalhos e vai, em breve, atrás de materiais escolares e cadeiras para doar a uma escola da região

AÇÃO NO LIXÃO – A equipe Eagles, composta por estudantes da Escola SESI Campinas de Goiânia, apostou na assistência a uma comunidade próxima ao lixão da cidade, onde moram cerca de 300 crianças. “Arrecadamos e doamos agasalhos e, em um próximo momento, vamos arrecadar materiais escolares e cadeiras para doarmos para a escola onde essas crianças estudam, que funciona em condições precárias”, conta a competidora Thaís Gouvêa, de 17 anos.

Literatura para crianças em situação de vulnerabilidade foi o tema central do projeto social conduzido pela equipe Tu-caré, de Mato Grosso. Os estudantes arrecadaram livros e foram fantasiados para uma a comunidade carente. “Eu, por exemplo, era a Rapunzel e contava histórias da personagem. Foi gratificante, as crianças ficam felizes pois recebem pouca atenção no dia a dia”, lembra a estudante Isabela Gaudielei, 15 anos.

Cuidar de animais silvestres e conscientizar a sociedade a não traficar aves, répteis e mamíferos foi a missão da equipe Factum, de Minas Gerais. Mentora do time, a pedagoga Michelle César, 38 anos, observa que a equipe de seis alunos do SESI de Contagem (MG) firmou parceria com uma associação que mantém 530 animais vítimas do tráfico que foram apreendidos pela polícia ambiental.

“Vão desde macaco prego e tartaruga até as mais diversas aves. O principal trabalho social da equipe é de divulgação do nome da ONG. Mas os alunos também fizeram palestras para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de preservação dos animais”, diz Michelle. “Eles também colaboraram diretamente com os cuidados básicos aos animais”, acrescenta.

A equipe BR Racing, do Mato Grosso do Sul, promoveu um projeto de conscientização da comunidade em relação à importância da coleta seletiva do lixo. “Fizemos parceria com uma associação local e o nosso objetivo é conscientizar todos sobre a importância da reciclagem”, destaca a competidora Mariana Murgi, 15 anos, estudante do SESI de Dourados (MS).

F1 NAS ESCOLAS – Realizado pela primeira vez pelo SESI e pala quarta vez no Brasil, o projeto F1 nas Escolas é oficialmente vinculado à Fórmula 1 e tem o objetivo de preparar alunos do ensino médio para os desafios do mundo profissional. As etapas envolvem a criação de uma escuderia de F1; a elaboração de planos de negócio, marketing, patrocínio e projeto social; a elaboração de projeto e construção de carros de F1 em miniatura; e as corridas de velocidade.

Iniciado há 17 anos na Inglaterra, o projeto já passou por 47 países, com mais de 3 milhões de alunos alcançados. A metodologia envolve uma parceria entre professor e aluno, na qual o estudante assume o papel de ator principal e o professor o de mediador e estimulador. A equipe vencedora da competição participará no mundial, que ocorrerá em novembro em Abu Dhabi, às vésperas do Grande Prêmio de Fórmula 1 dos Emirados Árabes Unidos. Os participantes irão conhecer as escuderias, seus carros e pilotos.

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SAIBA MAIS - Quer saber mais sobre robótica? Acesse o site do Festival de Robótica.

FESTIVAL SESI DE ROBÓTICA
Quando: 15 a 17 de março 
Aberto ao público apenas nos dias 16 e 17
Horário de visitação: 16/03 - sábado:
9h às 18h / 17/03 - domingo: 9h às 16h
Onde: Pier Mauá - Rio de Janeiro
ENTRADA GRATUITA

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