O Sistema Indústria contribuiu com mais de mil ações no primeiro ano do Mapa Estratégico da Industria 2023-2032. Esse desempenho revela uma média de três ações realizadas por dia e traz boas expectativas ao cumprimento das 103 metas em até dez anos.
O Mapa é um documento pensado para estabelecer metas e objetivos voltados para melhorar a competitividade da indústria brasileira.
Mas, a pergunta que fica é: na prática, o que isso quer dizer?
Vamos lá. Nesse primeiro ano do Mapa, o Sistema Indústria, representado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Social da Indústria (SESI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), participou de diferentes ações que ajudam a chegar mais perto daquelas metas previstas o documento.
Por exemplo, no âmbito da defesa de interesses, o Sistema Indústria fez o que chamamos de relacionamento institucional. Reuniões, participação de eventos, apresentações em painéis, audiências públicas com intituições, órgãos e entidades que representam os Três Poderes. Essas ações somaram 624 agendas. São elas que desdobram em futuras propostas que beneficiam a indústria brasileira, o país e, consequentemente, a população.
E assim foram com os outros temas, como geração de conhecimento, com ações voltadas para a construção de argumentos técnicos, levantamento de dados, elaboração de modelos e avaliação de impacto, como produção de dados, painéis, indicadores, estudos e pareceres. Ao todo, foram 458 materiais produzidos a partir de agendas nesse setor.
Por último, foram feitas ações de prestação de serviços. Soluções para as empresas, com o objetivo de aumentar a produtividade, competitividade, internacionalização e inovação tais como cursos, workshops, seminários e capacitações, que somaram 75 eventos.
Números refletem comprometimento do setor
O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, explica que os números do primeiro ano do Mapa Estratégico refletem de forma contundente o comprometimento e a persistência da CNI e do Sistema Indústria em perseguir as metas estabelecidas para o desenvolvimento do setor e a responsabilidade com a sociedade ao prestar contas das ações implementadas.
“A expressiva média superior a 3 ações por dia realizadas ao longo desse período inicial evidencia uma dedicação sistemática à execução de medidas alinhadas ao Mapa, demonstrando um esforço contínuo para impulsionar a indústria brasileira e promover o crescimento do país”, destaca Fabrício Silveira.
Metas estabelecidas e visão a longo prazo
O Mapa apresenta uma visão de longo prazo para o desenvolvimento e o crescimento da indústria brasileira, a partir da identificação dos principais fatores que afetam a sua competitividade.
Para construir as metas foram identificados oito fatores-chave para a competitividade da indústria brasileira na próxima década, desdobrando-se em 32 temas prioritários que delineiam o caminho para a nova indústria que desejamos, compatível com a Nova Indústria Brasil (NIB). Foram elencados um total de 96 objetivos dentro dos temas prioritários, com 103 indicadores e a mesma quantidade de metas para 2032.
Para cada tema prioritário, uma breve descrição do problema a ser enfrentado, com soluções e os benefícios esperados ao seguir na direção recomendada.
“Ao estabelecer objetivos claros e metas até 2032, ele atua como um guia referencial que permite às empresas não apenas alinhar suas estratégias às missões definidas pela NIB, mas também se preparar proativamente para capitalizar as oportunidades advindas da política industrial, fomentando uma atuação sinérgica entre as iniciativas privadas e os esforços governamentais para impulsionar a neoindustrialização do país”, destaca o superintendente de Política Industrial.
Conheça as metas sistematizadas pelo Mapa Estratégico nos oito temas principais:
1. Ambiente econômico
- Desemprego: reduzir para 7,5% da população economicamente ativa;
- Inflação: manter o IPCA próximo do patamar de 3%;
- Juros: reduzir o spread bancário a 7,7%, redução de 1,97 ponto percentual ao ano;
- Dívida pública: convergir para o patamar anterior à pandemia (74,4% do PIB);
- IRPJ: alcançar a alíquota média sobre a renda corporativa dos países da OCDE, de 23,6%.
2. Ambiente de negócios
- Qualidade regulatória: subir 48 posições no ranking de Procedimentos administrativos conduzidos sem atrasos injustificados. Sair da 93º para a 45ª posição;
- Segurança jurídica: elevar em 2,4% ao ano o índice de segurança jurídica para 0,6 até 2032;
- Governança pública: aumentar em 3,5% ao ano o índice de eficácia do governo brasileiro;
- Governança corporativa: aumentar o índice de governança corporativa em 2,6% ao ano até 2032;
- Desburocratização: aumentar o índice de desenvolvimento do Governo Eletrônico à nota máxima;
- Segurança pública: reduzir pela metade o nível de roubo de cargas, uma queda de 6,1% ao ano.
3. Baixo carbono e recursos naturais
- Bioeconomia: aumentar em 0,5% ao ano o número de notificações da indústria de transformação no Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen);
- Descarbonização: a reduzir a intensidade das emissões de CO2 equivalente pela indústria em relação ao PIB industrial para 0,183 Mton/R$ trilhão;
- Eficiência energética: aumentar a eficiência energética por meio da redução (de 0,24 ponto percentual por ano) da intensidade energética para 9,8%;
- Energias de fontes renováveis: elevar em 1,3 ponto percentual ao ano o nível de uso de fontes renováveis na matriz energética da indústria, para 75% em 2032;
- Economia circular: aumentar a taxa de recuperação de resíduos para 12,8%.
4. Comércio e integração internacional
- Crédito para exportação: elevar para 55% o valor exportado que conta com crédito à exportação. Aumento de 2,9 pontos percentuais ao ano;
- Tempo para exportar e importar: reduzir o tempo médio de liberação das cargas via transporte marítimo para até 96 horas nas importações e para até 60 horas nas exportações;
- Acordos internacionais: ampliar a rede de acordos comerciais do Brasil para 41,2% da importação mundial, com a entrada em vigor de acordos com União Europeia, Canadá, EFTA, México e Reino Unido;
- Subsídios ilegais: realizar 4 investigações de subsídios ilegais e distorcivos em terceiros mercados no Brasil;
- Investimento externo: ampliar a rede brasileira de Acordos de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFIs) para alcançar 80% do estoque de investimentos brasileiros no exterior.
5. Desenvolvimento humano e trabalho
- Relações do trabalho: alterar a posição do Brasil no ranking de países em que a legislação trabalhista não prejudica a atividade empresarial (de 57º para 45º, em um ranking de 59 países);
- Saúde e segurança: diminuir a mortalidade prematura para 20% do total de mortes por doenças crônicas não transmissíveis. Queda de 1,85 ponto percentual ao ano;
- Previdência: promover queda de 6,3% ao ano a incidência média anual de afastamentos;
- Diversidade e inclusão: reduzir em 36% o índice de desigualdade de gênero do Brasil;
- Acesso à cultura: aumentar de 30% para 40% o percentual de municípios com museus; de 23% para 33% com teatro ou sala de espetáculo; e de 40% para 50% os que contam com centros culturais.
6. Desenvolvimento humano e trabalho
- Produção industrial: alcançar o nível 0,7 no índice de complexidade econômica. O maior nível é o 1,0, do Japão;
- Valor adicionado: alcançar a taxa de 19% de valor adicionado pela indústria de transformação em relação ao PIB;
- Inovação: elevar o nível de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em percentual do PIB para 1,8%. Crescimento de 0,06 ponto percentual ao ano;
- Produtividade: aumentar a produtividade do trabalho na indústria em pelo menos 2% ao ano até 2032;
- Transformação digital: ampliar para 45% as empresas que usam a tecnologia Internet das Coisas. Crescimento de 3,1 pontos percentuais ao ano.
7. Educação
- Educação básica: alcançar desempenho médio em matemática e ciências observado em países da OCDE (notas 492 e 495, respectivamente, no PISA de 2018);
- Ensino médio: elevar o percentual de matrículas no ensino médio articulado com educação profissional para 40% até 2032. Aumento de 2,4 ponto percentual ao ano;
- EJA: elevar para 30% o percentual de matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) integradas à educação profissional. Crescimento de 2,7 ponto percentual ao ano;
- Digitalização nas escolas: garantir que 100% das escolas tenham internet banda larga e pelo menos 75% contem com computadores, notebooks ou tablets para uso dos alunos e também com projetores multimidia ou lousas digitais;
- Educação profissional e superior: aumentar a proporção de graduados em cursos da área de STEM para 25% até 2032. Crescimento de 0,67 ponto percentual no ano;
- Força de trabalho: aumentar o número de trabalhadores na indústria com nível técnico e superior (tecnologia e engenharia) em relação ao total de trabalhadores na indústria.
8. Infraestrutura
- Energia: reduzir o custo de energia elétrica para clientes industriais para 0,09 US$/kwh até 2032. Queda de 4,3% ao ano;
- Transporte e Logística: elevar investimento total em transportes para 1,98% do PIB até 2032 e modernizar a infraestrutura de rodovias e ferrovias;
- Mobilidade urbana: elevar o investimento total em mobilidade urbana para 0,12% do PIB até 2032;
- Saneamento: aumentar a participação privada nos serviços de saneamento e alcançar 35,2% dos municípios atendidos por prestadoras privadas;
- Infraestrutura digital: aumentar em 25% o total de acessos per capita a serviços de acesso à internet de banda larga até 2032;
- Infraestrutura espacial: reduzir a dependência brasileira de satélites estrangeiros, com acesso a 27 satélites, sendo 22 independentes.
Os diagnósticos, as soluções e as metas para o Brasil ter uma nova indústria e chegar fortalecido daqui a uma década estão no Mapa Estratégico da Indústria 2023-2032, lançado pela CNI em 2023. Acesse na íntegra.


