Sindicatos fortes ajudam a construir indústria dinâmica, defende presidente da Findes

Para Marcos Guerra, à frente da Federação das Indústrias do Espírito Santo dede 2011, ao se filiarem as empresas contribuem para a formação de entidades capazes de falar em nome do setor
Presidente da Findes, Marcos Guerra

Mesmo à frente do Grupo Guermar, grande indústria do setor de vestuário localizada no município de Colatina (ES), Marcos Guerra não se intimida com os inúmeros compromissos, naturais a um diretor-presidente de empresa. Tanto que incluiu nessa agenda um desafio maior: a presidência da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes).

De acordo com Guerra, em uma agenda lotada de compromissos é possível encontrar tempo para se envolver e lutar pela defesa dos interesses do setor industrial. “O associativismo está na veia da pessoa. E por trás disso existe uma satisfação de busca de resultados”, afirma.

O entusiasmo pelo associativismo pode ser percebido pela disponibilidade de Guerra levar ao Espírito Santo o 9º Encontro da Rede de Desenvolvimento Associativo, que será realizado de 20 a 22 de março, no município de Pedra Azul.

Em entrevista ao Portal da Indústria , Guerra conta que há 27 anos dedica boa parte do seu tempo ao associativismo e à articulação com o governo para melhorar a competitividade da indústria no estado. Entre os cargos que ocupou, foi presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Colatina (Sinvesco) por três mandatos. Confira abaixo os principais trechos desse bate-papo.

Portal da Indústria – Qual a importância de empresas se filiarem a sindicatos?
Marcos Guerra – Ao se filiarem a sindicatos, empresas contribuem para a formação de entidades fortes e representativas, que possam falar em nome do setor. A partir do momento que sindicatos têm muitas empresas associadas, que apresentam as demandas do setor, automaticamente os líderes sindicais têm mais condições de trazer resultados positivos para as indústrias e o setor que representam.

PI – O que a Findes tem feito para estimular o associativismo empresarial? O senhor destacaria alguma ação?
Guerra – A Findes tem várias diretorias para assuntos específicos, como questões tributárias. Hoje temos um banco de dados com a relação de todos os incentivos e todos os benefícios que os demais estados dão para determinados setores. Isso serve de subsídio para as negociações do setor com o governo. Também fazemos muitas parcerias com sindicatos para a formação profissional e qualificação de empreendedores, por exemplo. Além disso, oferecemos para todas as indústrias filiadas, principalmente as de micro e pequeno porte, descontos de até 80% em serviços prestados pelo SESI e SENAI. Essas iniciativas ajudam a trazer para a federação um número significativo de associados.

PI – Como conciliar as diversas atribuições e tempo demandado para administrar seus negócios e o engajamento na defesa das causas industriais?
Guerra – O tempo do empresário realmente é muito apertado. Mas essas ações de liderança setorial e associativismo estão na veia de cada um. Naturalmente, uns se envolvem mais e outros, menos. E por trás disso tudo existe a satisfação de busca por resultados. Percebo que os sindicatos que têm os melhores resultados geralmente têm os líderes mais ocupados. Vejo presidentes dessas entidades que, além de cuidar de seus negócios, são pastores, administram entidades filantrópicas e escolas de samba, entre outras atividades.

Para não haver sobrecarga, o ideal é o presidente do sindicato trabalhar com vários atores para distribuir missões. Essa delegação de tarefas possibilita ainda uma oxigenação das entidades e faz com que os resultados sejam maiores e que os sindicatos realmente representem um setor. E não apenas um grupo de pessoas.

PI – No estado, quais as conquistas mais recentes da federação e sindicatos na defesa dos interesses industriais?
Guerra – Recentemente, ampliamos com o governo do estado os benefícios dos contratos de competitividade de 18 setores da indústria, entre os quais o de vestuário, alimentos e bebidas, cerâmica vermelha e metalmecânico. Esses contratos têm várias frentes de trabalho, mas a grande maioria é voltada para a redução de tributos. Também conquistamos a isenção de ICMS na compra de equipamentos para vários setores, entre outras vitórias.

Temos a nosso favor o Governo do Estado do Espírito Santo, que é muito sensível a essas questões. A Findes apresenta dados de crescimento por setor e buscamos levar para o debate com o governo os que estão enfrentando maiores problemas.

Todo esse trabalho é reconhecido e, consequentemente, sindicatos passam a ter um ganho dentro da federação e conquistam mais associados para sua base.

PI – O que é mais importante para se mobilizar gestores empresariais?
Guerra – O mais importante é trazer para dentro da entidade o industrial. Um sindicato só é forte e representativo quando tem as pessoas que representa junto dele, seja no Legislativo, no Executivo ou no Judiciário. A partir do momento que você traz o industrial para dentro da entidade, traz demandas e sugestões para tornar a indústria mais competitiva.

Na Findes, desenvolvemos um trabalho de fortalecimento do associativismo. Não estamos preocupados em criar muitos sindicatos, mas queremos entidades fortes, que realmente representem o setor e que estejam com empresas espalhadas por todo o estado. Fazemos vários eventos para divulgar as ações e serviços do Sistema Indústria e explicar a importância de empresas se filiarem a sindicatos.

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