Inovação e parcerias são a chave para as nações se reinventarem no pós-pandemia

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e o CEO do SOSA, Uzi Scheffer, concordam que a inovação é a principal ferramenta para enfrentarmos o cenário que está se configurando no Brasil e no mundo

Nada pode ser mais disruptivo do que o momento em que um desafio e uma solução se fundem. Nesse instante, a ideia deixa de ser uma ideia para se tornar uma inovação. E nunca se fez tão necessário promover essa junção de desafios e soluções quanto no momento atual. É urgente encontrarmos respostas aos obstáculos que estão surgindo com a disseminação do coronavírus e que nos apontem formas eficientes de enfrentar o mundo pós-pandemia.

A crise que atravessamos – uma crise de saúde, em princípio, que acabou afetando todos os segmentos da estrutura social e econômica – tende a acelerar o desenvolvimento de tecnologias disruptivas já em curso. Ao mesmo tempo, governos e iniciativa privada precisam encontrar caminhos que os ajudem a retomar a atividade presencial, as políticas públicas e a lidar com a quebra na cadeia produtiva mundial.

A inovação, com certeza, será a principal ferramenta para enfrentarmos o cenário que está se configurando no Brasil e no mundo desde o último mês de março. Isso envolve não somente a busca por vacinas, medicamentos e diagnósticos, mas também soluções capazes de diminuir o impacto da pandemia na convivência social, na produção industrial, no comércio, no emprego e na renda, possibilitando a superação deste momento com perspectivas de retomada do crescimento econômico de forma sustentável.

E nenhum outro setor se relaciona mais com a inovação do que a indústria. De acordo com a mais recente Pesquisa de Inovação (PINTEC), divulgada em abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as empresas consideradas inovadoras no Brasil investiram R$ 67,3 bilhões nesse tipo de atividade no ano de 2017, o que corresponde a 1,95% da receita líquida total das vendas no mesmo ano.

O percentual ainda está muito abaixo do potencial brasileiro e dos padrões globais. Mas, na esfera empresarial, especialmente na indústria, a pesquisa e desenvolvimento (P&D) começou a ganhar corpo, com consistência e consciência, por meio de iniciativas como a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), criada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) há 10 anos com o objetivo de aumentar a participação do setor privado no investimento nacional em ciência, tecnologia e inovação (CT&I).

O que move o empresariado nessa iniciativa é a certeza de que o aumento do investimento, seja público ou privado, é o caminho para o Brasil se inserir no âmbito da Indústria 4.0 e ser um país mais competitivo – não só da indústria, mas em todos os segmentos econômicos. Ao mesmo tempo, a pandemia tem mostrado a importância de se fazer isso de forma sustentada.

É preciso reorganizar as cadeias globais de valor e investir no aumento da sofisticação das estruturas produtivas. Nesse sentido, faz-se fundamental a parceria entre empresas, startups, instituições de pesquisa e outras entidades catalisadoras da inovação. Numa interação que chamamos de inovação aberta, esses agentes realizam projetos e buscam as melhores soluções colaborativas com mais celeridade, impulsionando os negócios e trazendo respostas a desafios.

A integração entre os ambientes corporativo e acadêmico desperta o potencial para o desenvolvimento de uma cultura de inovação e de valorização da ciência nas empresas. As parcerias com demais instituições abrem novos caminhos para o desenvolvimento científico e tecnológico do país e, no caso dos parceiros estrangeiros, nos aproximam da realidade de outras economias que, como nós, estão na corrida pelas oportunidades que advirão da 4ª Revolução Industrial.

Exemplo disso é a parceria que a CNI está oficializada nesta quarta-feira (01/07) com a SOSA, empresa israelense com atuação global em inovação aberta, que tem unidades em Tel Aviv; Nova York, nos Estados Unidos, e Londres, no Reino Unido. A SOSA utiliza programas de inovação aberta para identificar soluções tecnológicas avançadas e modelos inovadores, ajudando empresas e entidades públicas na implementação de oportunidades de investimento nesta área, que levem ao crescimento dos negócios e às transformações digitais bem-sucedidas.

Os Centros de Inovação da empresa israelense servem como ponto de encontro para governos, empresas e empreendedores de tecnologia, realizando dias de demonstração e mesas-redondas, onde são apresentadas as próximas oportunidades de negócios. Os parceiros da SOSA incluem empresas multinacionais como HP, SwissRe, RBC, Siemens, Rafael e Tokio Marine, além de entidades governamentais, como a NYC Economic Development Corporation, o governo australiano e o governo basco.

Por meio da parceria entre a organização representante da indústria brasileira e uma empresa desse porte, será possibilitado a indústrias e startups do Brasil entrar em contato com as tecnologias mais inovadoras da Indústria 4.0 desenvolvidas em outros países, por meio da imersão nos ecossistemas de tecnologia da SOSA em Tel Aviv e Nova York. Utilizarmos essa experiência de inovação em nível mundial terá um efeito transformador para a indústria brasileira e, por que não dizer, também para o país.

A busca por eficiência, inteligência e sustentabilidade são desafios constantes e aplicar soluções globais a demandas locais será uma forma de alcançar a aceleração do processo que se faz urgente, sobretudo diante dos efeitos devastadores da pandemia da Covid-19 nas economias das nações. Essa experiência, é certo, dará à indústria brasileira a oportunidade de construir relacionamentos e arquitetar soluções para o futuro. A partir dela, ninguém sairá da mesma forma.

*O artigo foi publicado no portal Poder 360 no dia 1⁰ de julho

Robson Braga de Andrade é o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Uzi Scheffer é CEO do SOSA, empresa israelense com atuação global em “inovação aberta”.

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