Educação profissional é investimento no futuro

Em artigo publicado pelo jornal Folha de São Paulo, o presidente em exercício da Confederação Nacional da Indústria, Paulo Afonso Ferreira, fala sobre a importância do ensino profissional para a economia e a geração de emprego

O investimento em educação profissional é imprescindível para o aumento da competitividade do país, para a retomada do crescimento da economia num ritmo mais vigoroso e para a criação de melhores oportunidades de emprego.

A qualificação técnica adequada se torna ainda mais importante no momento em que uma série de adaptações são exigidas das empresas e dos trabalhadores, em razão da quarta revolução industrial, chamada de "Indústria 4.0".

Novas profissões, como engenheiro de cibersegurança, mecânico de veículos híbridos e projetista para tecnologias 3D, devem se consolidar nos próximos dez anos, de acordo com estudo do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). A previsão é que surjam, ao menos, 30 novas ocupações com a integração dos mundos físico e virtual por meio de tecnologias digitais, como internet das coisas, "big data" e inteligência artificial.

O levantamento aponta as profissões que devem ganhar relevância e mudar os segmentos automotivo, de alimentos e bebidas, de máquinas e ferramentas, de petróleo e gás, têxtil e de vestuário, químico e petroquímico, de tecnologias da informação e comunicação, e de construção civil.

Nesse cenário, os trabalhadores precisarão ter capacidade de interpretação abstrata e formação técnica para operar equipamentos complexos. O ensino técnico e aplicado permite que os estudantes sejam protagonistas de seu futuro, com a escolha do caminho que mais atenda às suas necessidades.

Com a recente reforma do ensino médio, iniciou-se um longo processo para alinhar o sistema educacional às melhores experiências internacionais, com a flexibilização e a diversificação do currículo regular. Nações desenvolvidas perceberam essa necessidade há muito tempo, e partiram na frente, investindo pesadamente em educação profissional.

Os países da União Europeia têm, em média, 50,4% dos estudantes do ensino médio também matriculados em cursos profissionalizantes. Na Áustria, esse coeficiente é de 69,8%; na Finlândia, de 70,4%. No Brasil, o indicador é de apenas 11,1%, proporção que dificulta a inserção dos brasileiros no mercado de trabalho, e influencia os níveis de produtividade e inovação da indústria.

A formação técnica tem claros efeitos na renda. Pesquisas da PUC do Rio de Janeiro demonstram que, entre dois indivíduos com a mesma escolaridade, aquele que conta com um ano de educação profissional tem renda 18% maior. Técnicos da área de produção de petróleo e indústrias químicas, por exemplo, têm ganhos médios mensais de R$ 7.700.

Um curso profissionalizante pode ser o primeiro passo de um plano de carreira que não exclua a obtenção de um diploma universitário. Um técnico em mecânica tem a opção de fazer, posteriormente, um bacharelado em engenharia. Para alguns jovens, a inserção rápida no mercado de trabalho é o passaporte para a conquista da cidadania e a continuação dos estudos.

O Brasil sabe fazer educação profissional de excelência. O primeiro e o segundo lugares alcançados pelo país, representado por alunos do SENAI, na "Worldskills", a maior competição de profissões técnicas do planeta, em 2015 e 2017, respectivamente, comprova que podemos colocar os nossos jovens no mesmo nível de seus concorrentes nas nações mais industrializadas.

Além disso, é importante destacar que tanto o SENAI quanto o SESI (Serviço Social da Indústria) definem seus cursos de qualificação e formação técnica em função das necessidades das indústrias e com visão voltada para o futuro do trabalho, em consonância com organizações e parceiros internacionais.

Diante dos desafios que temos pela frente, é urgente preparar jovens e adultos para um mercado em profunda mutação tecnológica e de cultura organizacional. A educação profissional deve ser vista como fator de desenvolvimento e fortalecida como um investimento do país no futuro.

Paulo Afonso Ferreira é presidente em exercício da CNI.

O artigo foi publicado nesta segunda (22) no jornal Folha de São Paulo.

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