CNI manifesta apoio ao novo repasse de R$ 140 bilhões para a Nova Indústria Brasil

Aporte adicional foi realizado pelo BNDES e Finep; recursos para a indústria chegam a R$ 750 bilhões

O montante vai viabilizar investimentos para produção de fertilizantes, fármacos e o desenvolvimento de inteligência artificial. Foto: Michelle Fioravanti/CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, nesta terça-feira (23), uma nota oficial de posicionamento em apoio ao novo aporte financeiro destinado à política industrial do país. O anúncio do governo federal de uma injeção adicional de R$ 140 bilhões à Nova Indústria Brasil (NIB), com recursos provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), foi recebido com entusiasmo pelo setor produtivo.

Com o novo aporte, a NIB chega a R$ 750 bilhões. Segundo a entidade, o crédito com custo competitivo é fundamental para destravar investimentos, especialmente com foco em áreas estratégicas para a redução da vulnerabilidade externa do país, como a produção de fertilizantes, fármacos e o desenvolvimento de inteligência artificial e tecnologias ligadas à transição energética.

Confira abaixo, na íntegra, a nota divulgada pela Confederação Nacional da Indústria:

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vê com entusiasmo o aporte adicional de R$ 140 bilhões à Nova Indústria Brasil — R$ 102,5 bilhões do BNDES e R$ 37,5 bilhões da Finep —, anunciado nesta segunda-feira (22), elevando a política industrial a mais de R$ 750 bilhões em recursos para investimento entre 2023 e 2026.

Para a indústria, crédito de longo prazo e a custo competitivo é a condição que destrava o investimento produtivo — uma demanda histórica do setor e ainda mais decisiva em um ambiente de juros elevados.

Mais do que volume, o aporte acerta o alvo. Os segmentos priorizados são centrais para reduzir vulnerabilidades estruturais e destravar o desenvolvimento de atividades estratégicas. Em fertilizantes, o Brasil importa mais de 85% do que consome e é o maior importador mundial do insumo, o que torna a produção nacional uma questão de soberania alimentar e de blindagem do agronegócio frente a choques geopolíticos.

Em insumos farmacêuticos ativos (IFAs) e biofármacos, o país produz apenas 5% dos princípios ativos que utiliza, importando os 95% restantes — dependência exposta na pandemia e que fragiliza o abastecimento do SUS.

Já os minerais críticos, as tecnologias duais (que servem ao meio militar e civil) e a inteligência artificial posicionam o Brasil nas cadeias que definirão a transição energética e eletromobilidade, e conferem maior autonomia tecnológica nas próximas décadas, áreas em que o país detém reservas e vantagens competitivas de classe mundial.

A CNI reforça, contudo, que volume e foco precisam vir acompanhados de previsibilidade. Transformar o desenvolvimento industrial em política de Estado, com marco legal estável, é o que dará às empresas a segurança necessária para planejar e investir. A entidade reafirma seu compromisso com a agenda de neoindustrialização e com a parceria entre o setor produtivo e o poder público.

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