Desenho em quadrinhos ilustrando uma cena de um home escovando os dentes

A principal matéria-prima do cimento é a rocha calcária. Junto com argila, areia e minério de ferro, a rocha calcária é submetida a temperaturas superiores a 1450ºC. Dos fornos rotativos, saem pelotas conhecidas como clínquer, que, depois de moídas, dão origem ao cimento.

É dentro dos fornos, durante o processo de produção do clínquer, que acontecem 95% das emissões de CO2 do setor: 60% resultantes da transformação química da matéria-prima - carbonato de cálcio (CaCO3) em óxido de cálcio (CaO) para virar clínquer - e 35% oriundos da queima de combustíveis para alcançar as elevadas temperaturas necessárias a essa transformação.

Estes combustíveis podem ser de origem fóssil, como o coque de petróleo, ou alternativos, como resíduos industriais, urbanos e biomassas. Os outros 5% das emissões advêm do consumo elétrico para operar moinhos e demais equipamentos.

 

Em escala global, as emissões de CO2 da indústria do cimento representam cerca de 7% das emissões totais produzidas pelo homem. No Brasil, em função de ações que vem sendo implementadas há anos, bem como do próprio perfil de emissões no país, essa participação é de 2,3%.
 
Estas ações se veem refletidas na intensidade carbônica do setor. A indústria do cimento brasileira é uma das que emite menos CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo. E esteve à frente desse ranking global em 20 dos últimos 30 anos, e 20% abaixo da média mundial.

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Quanto mais, melhor

As empresas vêm, ao longo dos anos, ampliando o uso de diversos materiais nos moinhos, misturando-os ao clínquer. São as chamadas adições. Usa-se, por exemplo, gesso, argilas calcinadas, escórias siderúrgicas e até vários tipos de cinzas.   
  
As adições têm o papel de reduzir o volume de clínquer na produção de cimento, sem comprometer as especificações técnicas desse material básico da construção civil. Quanto menos clínquer, menor geração de CO2 na média geral do setor.   
  
Brasil é o segundo país que mais usa adições no mundo (30%), atrás apenas da Índia. Além disso, pretende chegar a 48% até 2050.  
 
Em relação aos combustíveis alternativos, o setor alcançou, em 2022, a participação de 30% de combustíveis de fontes renováveis na matriz energética, antecipando a meta de 2025. A ideia inicial, que era de chegar a 55% até 2050, está sendo ampliada para 70%.

 

CIPLAN

 

Instalada no Distrito Federal, a fabricante de cimentos Ciplan, por meio da controladora majoritária, o grupo francês Vicat, tem a meta de neutralidade de carbono até 2050. Para isso, a empresa substitui parcialmente, há 20 anos, o clínquer por argilas calcinadas. Essa mudança possibilitou a redução de 69% de suas emissões de CO2 para alguns dos produtos. 

 

“O uso de argila calcinada, além do ganho ambiental e de qualidade, mostrou-se também uma boa alternativa para a redução de custos de produção”, conta Sérgio Luiz Bautz, CEO da Ciplan.

 
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Neste ano, a cimenteira anunciou um acordo de cooperação com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para diminuir as emissões de CO2 a partir do uso de biomassa como combustível na produção de cimento. Os fornos deverão ser abastecidos com combustíveis produzidos localmente, como eucalipto e capim elefante (forrageira tradicional). 
 
A meta é atingir 70% dos combustíveis alternativos até 2030. Atualmente, o índice está em 35%. O projeto inclui também a restauração de solos degradados nas áreas rurais do Distrito Federal e de Goiás, assim como a criação de renda para pequenos e médios agricultores.

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